Era uma vez…
18 de novembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
Nesse final de semana, enquanto milhares de pessoas se divertiam na praia, resolvi ver um filme. Por indicação do bonequinho do Globo (sim, eu sigo o que ele diz) fui assistir (500) Dias com ela – (500) Days of Summer, no original. E, posso garantir, tive a grata surpresa de encarar um dos melhores filmes do ano pra mim. Tudo se encaixa perfeitamente: trilha sonora, atores, figurinos, locações e linguagem – além da história, que é fenomenal e nem um pouco óbvia.
O conceito é bem simples e já explícito no início do longa: “This is a history of boy meets girl (…) this is not a love story”. Ponto. Dito isso, a gente pode sofrer, querer que seja o contrário e até se emputecer com os acontecimentos, mas precisamos engolir seco e aceitar que aquele casal não vai terminar bem. Está claro desde a primeira cena, desde quando a idéia foi criada e, provavelmente, o roteiro escrito. Mas, como no post anterior, mais uma vez o pessoal deve estar pensando “por que diabos ela está falando disso?”. Bom, vou tentar explicar.
Conversando depois do filme, não sei porquê, me veio na cabeça o recente comercial “Destino”, criado pela Ponce de Buenos Aires para AXE (veja lá no fim do post). Normalmente, os comerciais da marca não me fazem a cabeça, mas esse me pegou num ponto muito forte: conceito e amarração da história (coisa que, sinceramente, acho que falta nos outros). O filme mostra uma historinha sobre um homem e uma mulher supostamente ideais e que não se encontram. No único momento em que eles vão se esbarrar, passa um cara cheirando a AXE e, pronto, lá se vai uma bela história de amor.
Para quem não sabe, o conceito atual do desodorante é “The Power of Fragrance”. E agora, precisa dizer mais alguma coisa? Eu sei, todos os comerciais da AXE mostram o “poder da fragrância” mas, o que quero mostrar, é como uma história crível e bem contada faz a diferença. Isso é o que pode acontecer na vida real. Comigo, com você e qualquer um. E, vamos lá, não é mais legal assim? Não é muito mais agradável do que olhar para uma peça e sentir que estão zoando com a sua cara? Ah, eu acho.
Na realidade, não é muito sobre o que pode acontecer na vida real, mas o que se torna crível aos olhos. Uma história bem contada e amarrada, passível de “viagens”, mas que caminha naturalmente, sem sobressaltos loucos e sem sentido. A AlmapBBDO fez isso recentemente com o comercial “Xerox”, para O Boticário. Simples, inteligente e bem bonitinho, como vocês podem ver lá no fim do post também. Não daria para usar o mesmo conceito da AXE? Sim. Mas eles assinaram como “acredite no desodorante”, que tem uma amarração perfeita com o conteúdo. Bacana mesmo.
Infelizmente, isso é o que menos tem acontecido na propaganda brasileira atual. O que mais vemos é enrolação, enrolação e, para finalizar, uma piadinha meio jogada, que faz graça sem botar pra pensar. É a tal falta de conteúdo aliada a preguiça. Cansativo demais, bobo demais, non sense demais. Como sempre digo e repito, sei que cada caso é um caso e que o sentido pode variar de pessoa pra pessoa. Ok. Mas também sei que, quando algo é bem contado, o sentido até pode variar, mas a mensagem é recebida igualmente. Seja falando sobre desodorantes, xerox ou histórias de amor.
O que faz você ser você
8 de novembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
Outro dia estava vendo um episódio dos Simpsons que brincava com uma empresa chamada “Mapple”. Ora, todos sabem que “Mapple” é uma sátira para “Apple” e o fundador “Mobs” é o tão estimado Jobs, da mesma empresa. Além do quê, sabemos que o seriado sempre faz referências ao mundo atual, sejam elas boas ou más. E é bastante crítico.
Mas resolvi falar isso porque, nesse caso específico, o desenho fazia alusão ao famoso comercial “1984”, que a Apple lançou por uma única vez, na final do Super Bowl (lê-se, um público estimado de 70 mil pagantes e, mais ou menos, 80 milhões de telespectadores). Esse famoso filme, teve produção e direção de ninguém menos que Ridley Scott, criação a cargo da agência Chiat/Day (hoje incorporada à TBWA), e custou a bagatela de 1,6 milhão de dólares (sendo que o custo de veiculação ficou em torno de 500 mil dólares). Nada mal para um anúncio de 25 anos atrás. Veja aqui:
Mas, “por que diabos essa garota está falando disso? Todo mundo conhece esse filme”, vocês devem estar pensando. Sim, eu sei, todo mundo conhece esse filme. Mas, não sei, todo mundo conhece esse filme mesmo? Digo, TODO MUNDO sabe que Ridley Scott foi responsável por sucessos como Alien e Blade Runner? Ou, TODO MUNDO sabe que o anúncio reflete a luta que George Orwell travou no livro “1984”? E Big Brother, TODO MUNDO sabe que não é apenas um reality show? Não sei.
Parece simples, mas não é. Sei que esses exemplos não são profundos, e que muitas pessoas estão familiarizadas com tudo isso, mas nem tantas como acreditamos. Na maioria da vezes, recebemos informações sem saber do que se tratam. A gente adora a música “Will You Still Love Me Tomorrow” da Amy Winehouse, mas não faz idéia de que é uma regravação da original escrita por Gerry Goffin e Carole King. E que foi eleita umas das 500 melhores músicas dos últimos tempos pela Rolling Stone. Pra quê, né?
“Tudoaomesmotempoagora” é algo que escutamos com frequência e, sim, é uma verdade. Mais ainda, uma necessidade dos tempos atuais. Não que seja certo ou errado, é apenas uma característica do mundo. Aceitemos. Mas, o que estou querendo dizer, é que falta interesse. Não tanto sobre hoje, mas sobre ontem (e ontem não significa 50 anos atrás, pode ser um mês também). É isso mesmo, falta interesse. E muito. E cada vez mais. O antigo não interessa. É passado, cheira à naftalina e não importa. Uma pena.
Também não acho que somos obrigados a saber tudo sobre tudo, mas acredito que, como comunicadores, nossa função é estudar e promover o pensamento. Sejam nos nossos anúncios, blogs, twitts ou qualquer outro lugar que reflita uma idéia. Eu sei, é cabeçudo demais, é profundo demais e as pessoas simplesmente não entendem, mas não é pra isso que estamos aqui? Para traduzir nossa percepção e, mais ainda, compartilhar um pensamento? Estimular o raciocínio? Acredito que sim.
Não vou entrar no mérito de cada caso, mas espero que a maioria pense como eu. Tá, pode ser utopia, mas prefiro acreditar que ainda há interesse. Prefiro acreditar que as tão esperadas “grandes idéias” sejam sempre geradas em conjunto aos “grandes conhecimentos”. Prefiro acreditar que as pessoas se importam. E espero acreditar sempre. Ou melhor, prefiro.
Consciência, quem tem pra dar?
29 de outubro de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Vou assumir que sou um pouco descrente com algumas campanhas de conscientização. Não sei, essa coisa de mandar fazer isso ou aquilo é meio complicada. Como dizer que drogas são ruins para quem, presume-se, parece estar achando bom o efeito que elas provocam? Como fazer as pessoas acreditarem no voto, quando a política está desse jeito? E camisinha, então, dizendo pra usar também com seu marido de 10 anos? Complicado.
Eu sei que parece que sou uma louca libertária, mas não é bem isso. Estou falando de comunicação. E, no caso, não consigo ver a efetividade das ações. Acho que o problema está muito além disso, lá na base. É preciso tanta coisa que dá até preguiça de falar. Educação, a princípio de tudo, e respeito que, sem sombra de dúvidas, é o que mais falta. Mas isso são outros quinhentos.
Na verdade, comecei a pensar nisso quando vi dois anuncios bem bacanas sobre problemas de saúde. Um falando sobre câncer de mama e outro sobre asma. O de cancer é bem leve, mas engraçado, colocando o teste do toque inesperadamente dentro de um cinema. Assista aqui. O outro é mais forte, e traz um garotinho supostamente embalado num plástico sofrendo com falta de ar. Dá uma chocada, mas faz pensar. Veja aqui.
Por aqui no Brasil, tem algumas coisas boas e outras bem básicas. Dessas que chegam a dar vontade de fazer o contrário, de tanto que não sabem falar com o público. Mas é normal. Uma que eu amo – e chorei bastante –, foi a que a Y&R criou para a Santa Casa ano passado e estimula a doação de órgãos. Linda demais, ó:
Outra bem bacana é a iniciativa “Xixi no Banho”, criada pela F/Nazca para a SOS Mata Altlântica. Ensina de um jeito fofo. Assista aqui.
Mas acho que ainda temos muito o que caminhar. Não é simplesmente lançar uma ideia criativa e deixar pra lá. Se a gente pode ajudar, por que não dar o melhor? Por que não pensar realmente no problema e ir além? Não é o caso de colocar a pessoa entre o bem e o mal, mas de falar claramente, mostrando prós e contras. Numa boa. Eu sei que esse papo é meio chato, mas é bom pra abrir a cabeça. Afinal, não dá pra ser engraçadinho sempre, né. Pelo menos eu não quero.
Oi! Como vai sua comunicação?
22 de outubro de 2009 por Carla Said em TVborges
Para quem não sabe (diria 90% dos leitores), estou passando duas semanas em São Paulo a trabalho. Mas, o mais incrível disso, é que estou adorando. Não sei se sou eu ou a cidade, mas algo me faz sentir bem. Tirando um ônibus errado aqui e outro ali, tem dado tudo certo, e sampa tem se mostrado bastante receptiva e agradável aos meus olhos. Muito bom.
Mas o motivo de tocar nesse assunto é que justamente hoje peguei um puta ônibus errado e, durante as andanças, acabei dando de cara com a Oi. Cara, não sei quanto às outras pessoas, mas eu adoro a Oi. Assumo que meu carinho possa ser influenciado pelos comerciais da NBS, ou por eles usarem crianças fofas nas peças, ou (o que eu mais acredito), pelas músicas fenomenais que os filmes lançam – canto “quem ama bloqueia” de cabo a rabo. Uma lindeza. Mas o fato é que a marca me encanta.
Também acredito que ter trabalhado no Meio&Mensagem justamente quando a empresa entrava em São Paulo (lê-se, milhões de pautas feitas), tenha me ajudado a simpatizar dessa forma. Toda semana era matéria sobre o barulho que a marca estava causando – fosse pelas promoções, comerciais ou novos clientes que estavam conseguindo. Tudo era pauta. Flávia da Justa foi tão badalada que acabou ganhando Caboré na categoria Profissional de Marketing, em 2008. Dá pra entender do que estou falando, né?
Pois bem, foi nesse clima de adrenalina que acabei tendo o prazer de ver todos os filmes do lançamento. E posso dizer? Adorei. Dentre esses, o comercial “Mesmice”, que recentemente ganhou o prêmio Profissionais do Ano na categoria Comercial Sudeste, além do Prêmio Abril de Televisão, é meu favorito. Vejam abaixo.
A empresa ainda fez muitas outras coisas bacanas dentro da sua tão comentada “plataforma” – como Oi Futuro, Oi Casa Grande, Oi Noites Cariocas, Oi FM –, mas não dá pra citar tudo.
De qualquer forma, fica aqui a lembrança de como uma marca pode mexer com as outras pela comunicação (não é por isso que estamos aqui?). Se antes o segmento estava meio parado e chato, a Oi – junto com a NBS, é claro – deu uma chacoalhada na galera. Vale a pena correr atrás desse histórico e dar uma olhada. É diversão na certa. Só não vale perguntar sobre serviços telefônicos, porque o negócio aqui é outro. Tô fora de tarifas e serviços. E eu agradeço muito por isso.
O bom design brasileiro
14 de outubro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
Como já disse diversas vezes: eu adoro música. No caso, minhas preferências são bem amplas (me recuso a abrir por medo de sérias retaliações), mas sei que prevalece um “bom gosto” – que também pode ser seriamente contestado. Afinal, gosto não se discute. E eu não discuto mesmo.
Brincadeiras à parte, estava conversando com meu querido amigo Claudio pelo MSN quando, qual não foi minha alegria, ele me presenteou com um teaser de seu novo trabalho. A título de informação, Claudio é integrante da dupla “Elesbão e Haroldinho”, que já fez muito barulho com seu “Design de Bolso” – uma publicação reconhecida no meio do design brasileiro e que teve sua última edição em 2001 –, além de muitas outras coisas.
Pois bem, a dupla abriu uma produtora, a Visorama Diversões Eletrônicas, e continua fazendo suas mágicas por aí. No caso do teaser que comentei acima, era parte de um clipe em animação que eles estavam desenvolvendo para a música “E Agora Nós”, da Ivete Sangalo e Sorriso Maroto (olha o tal gosto indiscutível que eu disse), e que é uma fofura. Tanto que eu até acabei gostando da cantoria. Lindinho mesmo.
Mas para quem quer saber um pouco mais da dupla e do seu trabalho atual, sugiro uma procurada pelo Google. Também posso indicar algumas coisinhas, como o site www.chacundum.com, que apresenta o trabalho autoral do Claudio – Haroldinho, e o livro “Diário de Bordo”, do Zé – Elesbão (http://www.2ab.com.br/Produtos.asp?ProdutoID=358), além de, é claro, o site da produtora www.visorama.tv. Dá para ter uma idéia legal.
Fora isso, apresento o tal clipe que achei fofo. Lembrando sempre que gosto não se discute. Bom proveito!
A vida com “R”, de realidade
13 de outubro de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Recentemente conversei com várias pessoas sobre o anúncio “picante” da vovó para Havaianas – assunto que acabou rendendo um post meu (aqui) e muitas matérias por aí. Acho que não há mais o que falar sobre o filme em si (a própria agência rapidamente tratou de resolver o “problema”), porém, acho que esse assunto ainda dá pano para algumas mangas. Na realidade, nem tanto o tema sexo, mas mais no que consideramos normal ou corriqueiro hoje em dia – e como criamos em cima disso.
Digo isso porque estava observando a campanha que a Sadia lançou há algum tempo pelas mãos da DPZ trazendo o slogan “A Vida com S é Mais Gostosa”. Antes de tudo, a empresa apostou em pesquisas para verificar as transformações ocorridas nos modelos familiares ao longo dos anos. Resultado? Famílias enxutas, muitos filhos únicos ou agregados de outros casamentos, jornadas de trabalho maiores, aumento no número de divórcios e mudanças na hierarquia do lar.
O próprio site da marca conclui. “O conceito de família foi ampliado e extrapolou os laços sanguíneos, com uma valorização cada vez maior das relações independentes do vínculo biológico. Estas novas ‘famílias’ são baseadas na empatia, identificação, amizade e convivência de seus membros, como no o caso dos grupos de amigos de um escritório, faculdade, escola ou academia, ou até dos amigos virtuais criados dentro das redes sociais da Internet”.
Observando então o comercial da Sadia e também a explicação na marca na defesa de sua campanha, podemos até pensar numa mudança de valores e a preocupação em reproduzir o mundo atual fidedignamente. Mas é tão raro, né. Ao menos a agência conseguiu transformá-lo em algo mais palpável ao dia a dia de todos. E isso é bem bacana. Louvável, eu diria.
De qualquer forma, acredito que isso ainda está longe de se tornar um senso comum. Enquanto isso, à título de boa referência, sugiro que observemos as marcas mais ousadas – como no caso da vovó. E que também valorizemos os que ousam de maneira mais amena – como a Sadia. Pelo menos é uma forma de educar.
O sexo que incomoda
23 de setembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
Desde que estreou na TV, o comercial das havaianas onde uma avó fala abertamente de sexo tem feito barulho. Confesso que, na primeira vez que vi, achei meio forçado. Não pela situação em si, porque sei que as avós falam sobre isso nos dias de hoje, mas pela figura da senhora, muito formal e um tanto estereotipada. Tirando isso, normal. Mas, de cara, sabia que ia dar o que falar.
Não é de hoje que sofremos com o puritanismo e machismo do povo brasileiro. É aquela velha história, homem pode falar de sexo, chamar mulher de gostosa e fazer o que bem entender. Agora, quando são as mulheres que assumem o papel de “ativas”, sai de baixo. Quanta falação! Quando é uma mulher de idade então, nem se fala, ainda mais propondo a ideia do “ato” sem casamento. Vai contra a moral e os bons costumes. Fala sério, né.
De qualquer forma, como quem está no jogo são as Havaianas e a experiente AlmapBBDO, é de se esperar que uma resposta viesse. E das boas. A agência pegou sua criatividade e toda modernidade que lhe cabe e criou um novo anúncio. Dessa vez explicando que iria retirar o filme da TV, mas que deixaria a versão original na internet, para aqueles que gostaram da criação. Bingo. Tacada de mestre.
A iniciativa mostra que todos devem ser ouvidos e respeitados, mas também dá um chega pra lá no preconceito dos atrasados de plantão. Bela atitude para ajudar a galera a colocar a mão na consciência. Todo mundo faz e fala sobre sexo, inclusive as avós - tantos as solteiras, viúvas, casadas ou divorciadas. Duvida? Pergunta pra ela então.
O amor em tempos de guerra
17 de setembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
O amor em tempos de guerra
Por que hoje em dia é tão difícil ver um comercial romântico (digo, sobre relacionamentos amorosos)? Pode ser que eu não esteja observando bem, mas são poucos os anúncios que retratam direito o tema “amor”. A gente vê muita criação engraçada, emocionante, lúdica, tudo falando de família, amizade, companheirismo, mas, em se tratando de sentimentos por outra pessoa, a coisa está fraca.
Eu sei, o amor é meio brega. E, também sei, o brega, para quem não está apaixonado, é quase insuportável – além de difícil de reproduzir, é verdade. Outro problema é a falta de romantismo dos dias atuais. É tanta sacanagem, falta de respeito, descrença, que fica até difícil pensar numa ação que seja um pouco mais “fofa”. Uma pena. Todo mundo precisa “baixar a guarda” vez ou outra. Faz bem pro espírito.
Por conta disso pensei: por que não rever alguns anúncios românticos do passado? Lembro tanto dos filmes criados para o chocolate Laka. Aquela coisa inocente de início da vida amorosa, quando a gente ainda não sabe nada de nada e não tem noção do quanto o amor pode fazer bem – e também machucar. É sonhador, eu sei. Mas tão lindinho que dá até vontade de se apaixonar. Ou, na pior das hipóteses, comer um chocolate.
Brincadeiras à parte, que tal um pouco menos de ceticismo por hoje? Olhar o mundo com mais cores e a vida com mais paixão pode render maravilhas. E isso tanto pro coração quanto pra nova campanha que você precisa preparar. Então, vamos sonhar?
Olhar estrangeiro
9 de setembro de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Estava dando uma fuxicada no facebook ontem, quando li de um grande amigo meu o seguinte post: “O dia que não amanhece. Obrigado Ford e JWT por preverem o futuro. Azar de quem não tem uma Ranger para atravessar a marginal. O filme é realmente sensacional e só quem estava em São Paulo sabe o que ele quer dizer”.
É claro que meu colega acompanha a publicidade de perto e possui conhecimento suficiente para fazer esse tipo de ligação – ele estava se referindo ao temporal que caiu na cidade ontem e provocou um transtorno gigantesco (para não dizer quilométrico) por lá. Um verdadeiro inferno, com certeza. E a relação com o filme foi perfeita. Veja aqui:
Agora, mais interessante foi o comentário de uma pessoa sobre esse mesmo post. Dizia assim: “Uau, até na publicidade existem estas coisas estranhas!”. Nem precisa dizer que ele não é do ramo, né? Afinal, coisas estranhas + publicidade = normal. Bobinho.
Brincadeiras à parte, o que eu achei engraçado nessa história toda foi justamente a reação dessa segunda pessoa ao post do meu amigo. Muitas vezes, nós que estamos acostumados a acompanhar o mercado esquecemos de pensar na observação alheia. Achamos que uma ação é boa ou ruim por costume e não nos preocupamos em recebê-la sem pré-conceitos – que acabamos acumulando ao longo do tempo.
Esse chamado “olhar estrangeiro”, aquele que vem de fora, às vezes é realmente esquecido. É claro que vivemos num mundo onde as chamadas referências precisam ser levadas em conta (e muito!), mas também não podemos ignorar que, em sua maioria, as pessoas que recebem essas informações são desprovidas de conceitos anteriores (digo publicitariamente falando, por favor). E isso é super interessante.
Para não me estender demais, vou fazer como minha colega de blog Ju Dominguez e indicar não uma campanha, mas uma leitura. Chama-se “Ética”, organização de Adauto Novaes, mas especificamente um texto chamado “Ver o invisível: a ética das imagens”, de Nelson Brissac Peixoto. Coisas de faculdade de jornalismo, eu sei, mas que não deixa de ser referência para a vida inteira. E uma das boas.
Dia do Sexo 6.9
3 de setembro de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Todo ano a gente observa as várias tentativas de se incluírem novos “dias” no calendário oficial. É dia da árvore, do avô, do guarda rodoviário, do cardiologista, do índio, etc etc etc. Confesso que na grande maioria das vezes eu não faço a menor ideia de quem está por trás dessas solicitações (políticos, profissionais plenos, estudantes), mas, esse ano, a iniciativa de inclusão de uma nova data me chamou a atenção: o Dia do Sexo.
Na realidade, desde o ano passado tem se falado nessa tal data, que seria comemorada no dia 6 de setembro (atenção para o trocadilho infame: 6.9). Para minha pouca surpresa, desta vez quem está promovendo a dicussão é a marca de preservativos Olla – obviamente muitíssimo preocupada em conscientizar a galera dos benefícios do sexo, nada a ver com um possível aumento nas vendas do preservativo.
Intenções à parte, lá estou eu deitada no meu sofá assistindo o 15 min, da MTV (espero que isso não deponha contra mim), quando aparece o tal comercial da camisinha. Gente, eu ri. O filme criado pela Age é inesperadamente criativo e me pegou de surpresa. A cena é a seguinte: dois caras esperando o elevador, um cheio de coisas na mão e o outro sem nada. Quando o atolado da cena pergunta as horas, o outro começa a gritar, numa reação imprevisível. A resposta: falta de sexo.
De cara, me lembrei de um comercial sobre preservativos que vi há um tempo. A história traz um pai fazendo compras com o filho no supermercado. Só que a criança é o capeta em forma de gente: grita, chora, faz manha, e o pai lá, com aquela cara de impaciente. Nada é dito, apenas o final sugere: use camisinha (só faltava o “e evite situações constrangedoras”). Podem ver. Muito legal:
Quanto à Age, ela lançou essa campanha em 2008, e conseguiu aumento de 16% nas vendas de Olla. Para esse ano, além de usar cerca de 80% da verba anual de comunicação para a data, a ideia é ainda oficializar o Dia do Sexo (o site www.diadosexo.com.br está jutando assinaturas). Com o conceito “Tire o atraso”, a ação conta com dois filmes, spots, banners, game (www.sextris.com.br), a “Caranga do Dia do Sexo”, um veículo que simula um casal transando em seu interior, e o Dia do Sexo Celebration, uma festa que acontecerá no Beach Club Sirena, em Maresias (SP). Protejam-se.
Abaixo, os dois filmes criados pela Age.






















