O amor em tempos de guerra
17 de setembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
O amor em tempos de guerra
Por que hoje em dia é tão difícil ver um comercial romântico (digo, sobre relacionamentos amorosos)? Pode ser que eu não esteja observando bem, mas são poucos os anúncios que retratam direito o tema “amor”. A gente vê muita criação engraçada, emocionante, lúdica, tudo falando de família, amizade, companheirismo, mas, em se tratando de sentimentos por outra pessoa, a coisa está fraca.
Eu sei, o amor é meio brega. E, também sei, o brega, para quem não está apaixonado, é quase insuportável – além de difícil de reproduzir, é verdade. Outro problema é a falta de romantismo dos dias atuais. É tanta sacanagem, falta de respeito, descrença, que fica até difícil pensar numa ação que seja um pouco mais “fofa”. Uma pena. Todo mundo precisa “baixar a guarda” vez ou outra. Faz bem pro espírito.
Por conta disso pensei: por que não rever alguns anúncios românticos do passado? Lembro tanto dos filmes criados para o chocolate Laka. Aquela coisa inocente de início da vida amorosa, quando a gente ainda não sabe nada de nada e não tem noção do quanto o amor pode fazer bem – e também machucar. É sonhador, eu sei. Mas tão lindinho que dá até vontade de se apaixonar. Ou, na pior das hipóteses, comer um chocolate.
Brincadeiras à parte, que tal um pouco menos de ceticismo por hoje? Olhar o mundo com mais cores e a vida com mais paixão pode render maravilhas. E isso tanto pro coração quanto pra nova campanha que você precisa preparar. Então, vamos sonhar?
Maurício de Souza e a Máquina de Quadrinhos
11 de setembro de 2009 por Bárbara Gaia em Referência, SELFPOSTS

Lembro do tempo que eu pegava meus gibis da Turma da Mônica e ficava horas lendo. Tá, não eram exatamente “horas” porque crianças não têm muita paciência para isso mas ficava um bom tempo folheando as páginas de Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha. Eu tinha até o sonho de trabalhar com Maurício de Sousa mas percebi que não levava muito jeito com o desenho. Se naquela época tivesse o que Maurício lançou essa semana, quem sabe, veria minhas histórias publicadas?

Em comemoração de seus 50 anos de carreira, Maurício de Sousa criou, para a internet, a Máquina de Quadrinhos da Turma da Mônica. Com o apoio da plataforma da Lector.com, foi desenvolvido um site onde qualquer pessoa pode fazer sua própria história em quadrinhos. Você se cadastra, escolhe o formato do seu gibi, cenário, personagens e temas. O mais legal é que o próprio Maurício vai escolher as que ele achar mais interessantes para estarem nas revisitinhas.

Uma coisa bem legal, apontada na matéria do Feira Moderna, são as inúmeras possibilidades que a Máquina de Quadrinhos pode trazer no campo da educação. As crianças podem aprender muito com os personagens da Turma da Mônica. Pacotes de imagens de temas relacionados a datas históricas, eventos e manifestações culturais ou assuntos do cotidiano já estão sendo criados.
Isto sim é um excelente uso do mundo digital, não acham?
Olhar estrangeiro
9 de setembro de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Estava dando uma fuxicada no facebook ontem, quando li de um grande amigo meu o seguinte post: “O dia que não amanhece. Obrigado Ford e JWT por preverem o futuro. Azar de quem não tem uma Ranger para atravessar a marginal. O filme é realmente sensacional e só quem estava em São Paulo sabe o que ele quer dizer”.
É claro que meu colega acompanha a publicidade de perto e possui conhecimento suficiente para fazer esse tipo de ligação – ele estava se referindo ao temporal que caiu na cidade ontem e provocou um transtorno gigantesco (para não dizer quilométrico) por lá. Um verdadeiro inferno, com certeza. E a relação com o filme foi perfeita. Veja aqui:
Agora, mais interessante foi o comentário de uma pessoa sobre esse mesmo post. Dizia assim: “Uau, até na publicidade existem estas coisas estranhas!”. Nem precisa dizer que ele não é do ramo, né? Afinal, coisas estranhas + publicidade = normal. Bobinho.
Brincadeiras à parte, o que eu achei engraçado nessa história toda foi justamente a reação dessa segunda pessoa ao post do meu amigo. Muitas vezes, nós que estamos acostumados a acompanhar o mercado esquecemos de pensar na observação alheia. Achamos que uma ação é boa ou ruim por costume e não nos preocupamos em recebê-la sem pré-conceitos – que acabamos acumulando ao longo do tempo.
Esse chamado “olhar estrangeiro”, aquele que vem de fora, às vezes é realmente esquecido. É claro que vivemos num mundo onde as chamadas referências precisam ser levadas em conta (e muito!), mas também não podemos ignorar que, em sua maioria, as pessoas que recebem essas informações são desprovidas de conceitos anteriores (digo publicitariamente falando, por favor). E isso é super interessante.
Para não me estender demais, vou fazer como minha colega de blog Ju Dominguez e indicar não uma campanha, mas uma leitura. Chama-se “Ética”, organização de Adauto Novaes, mas especificamente um texto chamado “Ver o invisível: a ética das imagens”, de Nelson Brissac Peixoto. Coisas de faculdade de jornalismo, eu sei, mas que não deixa de ser referência para a vida inteira. E uma das boas.
XIV Bienal do Livro no Rio
4 de setembro de 2009 por judominguez em Referência, SELFPOSTS
Dia 10 de setembro começa a Bienal do Livro aqui no Rio. Vai até 20 de setembro. Dei uma olhada no site agora e vi que a programação tá ótima. Separei os eventos que achei mais bacanas pra postar aqui. Se liga:
• Às 18h30 do dia 11, no espaço Livro em Cena, Marília Pêra lê trechos de obras de Machado de Assis. Aliás, esse espaço Livro em Cena só tem gente de peso. Highlight.
• Às 19h30, também do dia 11, no auditório Euclides da Cunha, o autor Bernard Cornwell fala sobre “Mundos históricos, mundos imaginários“.
• Às 18h do dia 18, no Café Literário, Ferreira Gullar, Eucanaã Ferraz, Claudia Roquette-pinto debatem o tema “Criando espaço para o poético, entre modernidade e tradição“.
• Às 19h30 do dia 16, no espaço Mulher e Ponto, Mary Del Priore debate o tema “A Mulher Através da História - As personagens da literatura que fizeram história“.
E tem também a Floresta de Livros, onde as crianças (e adultos, por que não?) podem interagir com as obras. Rola também a exposição José Olympio, apresentada ano passado na Biblioteca Nacional, com cenografia de Victor Burton. Ó.
Além dos eventos, tem os stands, lógico. Dá uma voltinha, abstrai a multidão. Tá cheio de lançamento legal aí. Visite o stand da CosacNaify. O da Cia das Letras também é recheado de opção boa e a moderninha Casa da Palavra edita os livros do David Toscana, que já é um baita privilégio. E os infantis, nem se fala. É prato cheio pra dar um update bacana na sua estante e na sua cabecinha.
Haja referência!
XIV Bienal do Livro | De 10 a 20 de setembro, no Rio Centro - Avenida Salvador Allende, nº 6.555 – Barra da Tijuca | Horários e preços disponíveis aqui.

Aprenda algo novo todos os dias
3 de setembro de 2009 por Bárbara Gaia em Referência, SELFPOSTS
Sendo esse o objetivo e o nome do projeto, o estúdio de design Young lançou o site Learn Something Everyday. Através de ilustrações simples e bem engraçadas, todo dia aparece um fato diferente, alguma informação que com certeza você não sabia. São coisas do tipo “A primeira palavra que Picasso falou foi piz, palavra encurtada de lápiz em espanhol” ou “O cérebro é 80% água”. Tá certo, vai agregar quase nenhum valor na sua vida, mas se usar de forma criativa pode ser um bom meio de iniciar uma conversa, por exemplo. Imagina só. Ao invés do famoso “Parece que vai chover”, que tal “Sabia que Mel Blanc, dublador oficial do Pernalonga, era alérgico a cenouras?”
Se você conhece um fato curioso, é só mandar para eles que vira ilustração. De vez em quando eles escolhem um que eles achem o melhor, e quem enviou ganha um poster. Quem quiser comprar, leva ao preço de 35 libras - ou 107 reais. É um tanto quanto caro na minha opinião mas isso não me impede de dizer que a iniciativa do Learn Something Everyday é bem bacana e divertida.
Essa eu vi no Twitter do @PedroPorto, diretor de Interatividade da SantaClaraNitro, e divido aqui com vocês.
Dia do Sexo 6.9
3 de setembro de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Todo ano a gente observa as várias tentativas de se incluírem novos “dias” no calendário oficial. É dia da árvore, do avô, do guarda rodoviário, do cardiologista, do índio, etc etc etc. Confesso que na grande maioria das vezes eu não faço a menor ideia de quem está por trás dessas solicitações (políticos, profissionais plenos, estudantes), mas, esse ano, a iniciativa de inclusão de uma nova data me chamou a atenção: o Dia do Sexo.
Na realidade, desde o ano passado tem se falado nessa tal data, que seria comemorada no dia 6 de setembro (atenção para o trocadilho infame: 6.9). Para minha pouca surpresa, desta vez quem está promovendo a dicussão é a marca de preservativos Olla – obviamente muitíssimo preocupada em conscientizar a galera dos benefícios do sexo, nada a ver com um possível aumento nas vendas do preservativo.
Intenções à parte, lá estou eu deitada no meu sofá assistindo o 15 min, da MTV (espero que isso não deponha contra mim), quando aparece o tal comercial da camisinha. Gente, eu ri. O filme criado pela Age é inesperadamente criativo e me pegou de surpresa. A cena é a seguinte: dois caras esperando o elevador, um cheio de coisas na mão e o outro sem nada. Quando o atolado da cena pergunta as horas, o outro começa a gritar, numa reação imprevisível. A resposta: falta de sexo.
De cara, me lembrei de um comercial sobre preservativos que vi há um tempo. A história traz um pai fazendo compras com o filho no supermercado. Só que a criança é o capeta em forma de gente: grita, chora, faz manha, e o pai lá, com aquela cara de impaciente. Nada é dito, apenas o final sugere: use camisinha (só faltava o “e evite situações constrangedoras”). Podem ver. Muito legal:
Quanto à Age, ela lançou essa campanha em 2008, e conseguiu aumento de 16% nas vendas de Olla. Para esse ano, além de usar cerca de 80% da verba anual de comunicação para a data, a ideia é ainda oficializar o Dia do Sexo (o site www.diadosexo.com.br está jutando assinaturas). Com o conceito “Tire o atraso”, a ação conta com dois filmes, spots, banners, game (www.sextris.com.br), a “Caranga do Dia do Sexo”, um veículo que simula um casal transando em seu interior, e o Dia do Sexo Celebration, uma festa que acontecerá no Beach Club Sirena, em Maresias (SP). Protejam-se.
Abaixo, os dois filmes criados pela Age.
A metamorfose, de Kafka
3 de setembro de 2009 por judominguez em Referência, SELFPOSTS
Ontem de manhã acordei acometida de um bom humor irritante. Vim cantando Cyndi Lauper pela rua e ainda comi pizza no fim do dia. Esse bom humor veio de uma sensação de que, misteriosamente, tudo mudaria para melhor. Era como um teaser de boas notícias. Era como se eu tivesse acordado em outro corpo.
Fiquei matutando sobre isso hoje e me lembrei sabe do quê? “Quando Gregor Samsa despertou uma manhã de sonhos inquietos, viu-se metamorfoseado num inseto monstruoso”. Franz Kafka. A metamorfose. O rapazinho levanta atrasado pro trabalho e mal nota que tudo mudou. Li esse livro algumas vezes seguidas para fazer meu projeto final e até hoje ele me influencia.
Franz Kafka é um dos maiores escritores de língua alemã que já pisaram nessa Terra. Sou fã mesmo. E A metamorfose foi publicado pela primeira vez em 1915. Fala de transformações de verdade, de dentro pra fora, repentinas e impostas, dessas que você tem que aprender a lidar. A história por si só já é ótima, e o livro já começa no clímax, mas a mensagem é que tudo pode mudar. Você ganha um prêmio que te deixa rico. Você descobre que está grávida. Enfim. Tudo.
Nós, brasileiros, demos sorte. Uma das melhores traduções da obra é para a língua portuguesa, feita por Modesto Carone. O livro é editado pela Cia das Letras e pode ser adquirido aqui. Obama deve ter lido. Michael Jackson também. Yes, we can.
E pra quem acha que livro de 1915 não é novidade, presenteie-se com um exemplar e perceba que além de tudo é uma puta referência para o dia a dia. A obra é considerada uma das mais importantes de toda a história da literatura. Feche o anuário. Leia um clássico atemporal. Até hoje consigo traçar paralelos entre ela e os mais bobos detalhes da minha vida pessoal e profissional.
O poeta da real beleza
2 de setembro de 2009 por judominguez em Referência, SELFPOSTS
Essa sexta é meu aniversário. Faço 27 anos. Nunca me preocupei demais em ficar igual às moçoilas do red carpet. Encaro uma maquiagem pra sair de casa, um creminho antes de dormir e foi. Por outro lado, algumas amigas da mesma idade andam extremamente preocupadas com pés de galinha. Gastam rios de dinheiro com cremes contra rugas que não aparecem e maquiagem para esconder defeitos que não existem.
O post de hoje é sobre o valor da beleza esquecida por baixo dos quilos de maquiagem, por trás dos benvindos anos de idade. O fotógrafo Peter Lindbergh fez um ensaio há algum tempo com modelos famosas, dessas de anúncio de cosméticos. Todas passadas dos 30. Todas sem maquiagem e com pouquíssima produção. E sabe o que mais? Estão todas lindíssimas. E reais. Tá?
As fotos são excelentes. Peter Lindbergh é um fotógrafo premiadíssimo, “um poeta do glamour”, segundo ele próprio. Começou a trabalhar com fotografia de moda em 1978 e bombou mesmo nos anos 80, com ensaios para Comme des Garçons. É um dos grandes mestres do preto e branco, da simplicidade e da emoção. Tem o dom de trazer sinceridade às fotos que faz.
O ensaio foi pra Harper’s Bazaar, mas já rodou a net toda. Quem ainda não viu, pode conferir aqui. Fotos com honestidade. Uma ótima saída pra quem, como eu, anda irritadíssima com tanto photoshop correndo solto por aí.



Não custa nada sonhar
31 de agosto de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
Ano passado, quando a AlmapBBDO lançou seu agora premiadíssimo comercial “Cachorro-Peixe”, para o SpaceFox, lembro que eu ficava pensando como seriam as continuações da série (um esforço engraçadíssimo de imaginação, podem ter certeza). Na realidade, a primeira vez que vi o filme, confesso que o bichinho me causou certa estranheza – aquela proposta “meio a meio” é bem esquisita!
De qualquer forma, não pude deixar de aplaudir a audácia da criação: Gustavo Sarkis e Renato Fernandez foram fundo no conceito “cabe o que você imaginar”! Ao som de “Stand by me”, a relação do animalzinho com o dono conseguiu achar o tom certo entre sonho e realidade numa obra-prima para o segmento. Maravilhoso.
Agora, a Almap ataca com mais uma criação bem sucedida da dupla, mas para a Nova Saveiro, também da Volkswagen. Com o conceito “carregada de aventura”, a agência apostou no tom lúdico e promoveu o que consideram uma aventura “explosiva”: uma chuva de pipoca saída da boca de um vulcão. Nonsense? Um pouco. Se vai fazer sucesso? Com certeza.
A Almap tem se mostrado bastante inovadora no mercado automotivo (vide filme criado para o Novo Polo recentemente). As criações conseguem ser ousadas e conversar bem com o público alvo ao mesmo tempo – o que, convenhamos, não é muito observado em anúncios para carros. Ou é nonsense ou estático demais. Fica chato.
É bom ver que a imaginação também tem vez no segmento. Por mais que a gente ache estranho ou lúdico demais, não se pode deixar de assumir que associar carro com ilusão é uma proposta interessante - ainda mais quando a realidade é tão distante. Não adianta ser cético, é preciso se entregar. Até porque, que é muito gostoso poder sonhar um pouquinho, isso é. Por mais que sejam apenas por 30 ou 60 segundos.
A criação é de Gustavo Sarkis e Renato Fernandez, com direção de criação de Dulcidio Caldeira e Luiz Sanches. Produção da Rebolucion, com direção de Luciano Podcaminsky. Aprovação de Flávio Padovan e Herlander Zola. Muito bom!!
Internet hermana de calidad
27 de agosto de 2009 por Carla Said em Referência, SELFPOSTS
Tive a oportunidade de participar das duas edições do Wave Festival in Rio (festival latino-americano de publicidade que o Grupo M&M promove), nas quais trabalhei como repórter. Além de ser uma ótima chance de ver o que os hermanos están haciendo por aí, é um momento único onde estrelas da publicidade estão disponíveis para um papo descontraído. Esse ano, minha maior alegria foi conhecer o Maxi Anselmo, da Santo Argentina, e poder aprender um pouco mais sobre seu trabalho – fenomenal, diga-se.
Para quem não conhece, recomendo uma olhadinha na campanha “Todos por um pelo”, desenvolvida para a Arnet Telecomunicações, um provedor de Internet. Segundo Anselmo, a agência teve o desafio de divulgar uma promoção de apenas um mês, voltada para o mercado online e com verba reduzida – ou seja, molezinha. Pois bem, ao invés de criar meia dúzia de banners e pop-ups, o criativo preferiu apostar numa abordagem ousada com uma pegada extremamente inteligente e inesperada.
Utilizando um homem careca e infeliz chamado Juan Manuel Fraga, a Santo criou uma história onde, a cada novo cliente que a Arnet conquistasse, Juan receberia o implante de um fio de cabelo. O que aconteceu? Sucesso. A cada comercial, o personagem contava suas conquistas e aparecia com mais e mais cabelo. Uma série engraçadíssima que resultou na disseminação da ação e transformou a história em assunto nacional – todo mundo queria a judar Juan. Impressionante.
A campanha conquistou um leão em Cannes, na categoria cyber. É um bom exemplo de que a Big Idea – ou Gran Idea, no caso – pode ser desenvolvida para qualquer cliente, não importando o canal. Se tiver consistência e relevância o sucesso é garantido. Entiendes?



















