O que faz você ser você

8 de novembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges

Outro dia estava vendo um episódio dos Simpsons que brincava com uma empresa chamada “Mapple”. Ora, todos sabem que “Mapple” é uma sátira para “Apple” e o fundador “Mobs” é o tão estimado Jobs, da mesma empresa. Além do quê, sabemos que o seriado sempre faz referências ao mundo atual, sejam elas boas ou más. E é bastante crítico.

Mas resolvi falar isso porque, nesse caso específico, o desenho fazia alusão ao famoso comercial “1984”, que a Apple lançou por uma única vez, na final do Super Bowl (lê-se, um público estimado de 70 mil pagantes e, mais ou menos, 80 milhões de telespectadores). Esse famoso filme, teve produção e direção de ninguém menos que Ridley Scott, criação a cargo da agência Chiat/Day (hoje incorporada à TBWA), e custou a bagatela de 1,6 milhão de dólares (sendo que o custo de veiculação ficou em torno de 500 mil dólares). Nada mal para um anúncio de 25 anos atrás. Veja aqui:

Imagem de Amostra do You Tube

Mas, “por que diabos essa garota está falando disso? Todo mundo conhece esse filme”, vocês devem estar pensando. Sim, eu sei, todo mundo conhece esse filme. Mas, não sei, todo mundo conhece esse filme mesmo? Digo, TODO MUNDO sabe que Ridley Scott foi responsável por sucessos como Alien e Blade Runner? Ou, TODO MUNDO sabe que o anúncio reflete a luta que George Orwell travou no livro “1984”? E Big Brother, TODO MUNDO sabe que não é apenas um reality show? Não sei.

Parece simples, mas não é. Sei que esses exemplos não são profundos, e que muitas pessoas estão familiarizadas com tudo isso, mas nem tantas como acreditamos. Na maioria da vezes, recebemos informações sem saber do que se tratam. A gente adora a música “Will You Still Love Me Tomorrow” da Amy Winehouse, mas não faz idéia de que é uma regravação da original escrita por Gerry Goffin e Carole King. E que foi eleita umas das 500 melhores músicas dos últimos tempos pela Rolling Stone. Pra quê, né?

“Tudoaomesmotempoagora” é algo que escutamos com frequência e, sim, é uma verdade. Mais ainda, uma necessidade dos tempos atuais. Não que seja certo ou errado, é apenas uma característica do mundo. Aceitemos. Mas, o que estou querendo dizer, é que falta interesse. Não tanto sobre hoje, mas sobre ontem (e ontem não significa 50 anos atrás, pode ser um mês também). É isso mesmo, falta interesse. E muito. E cada vez mais. O antigo não interessa. É passado, cheira à naftalina e não importa. Uma pena.

Também não acho que somos obrigados a saber tudo sobre tudo, mas acredito que, como comunicadores, nossa função é estudar e promover o pensamento. Sejam nos nossos anúncios, blogs, twitts ou qualquer outro lugar que reflita uma idéia. Eu sei, é cabeçudo demais, é profundo demais e as pessoas simplesmente não entendem, mas não é pra isso que estamos aqui? Para traduzir nossa percepção e, mais ainda, compartilhar um pensamento? Estimular o raciocínio? Acredito que sim.

Não vou entrar no mérito de cada caso, mas espero que a maioria pense como eu. Tá, pode ser utopia, mas prefiro acreditar que ainda há interesse. Prefiro acreditar que as tão esperadas “grandes idéias” sejam sempre geradas em conjunto aos “grandes conhecimentos”. Prefiro acreditar que as pessoas se importam. E espero acreditar sempre. Ou melhor, prefiro.

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