AlmapBBDO: Amy Winehouse e a teoria dos 27 anos - para Billboard
4 de agosto de 2011 por vborges em Referência
A morte da cantora Amy Winehouse chocou e entristeceu seus fãs e provocou uma série de teorias sobre o que teria causado sua partida. Uma delas – a “Maldição dos 27 anos” – ganhou força e espaço na mídia. Ela foi desenvolvida a partir de vários casos de ídolos da música mortos antes de completar 28 anos. E Amy Winehouse, lógico, não escapou. Aos olhos de muita gente, tornou-se a mais nova vítima da maldição.
Desde que começou a aparecer na mídia, com sua voz absurdamente bela e sua personalidade única – tatuagens, cabelos armados e passos trôpegos, desequilibrados pelo álcool, pelas drogas e, às vezes, apenas por seu jeito de ser e de se apresentar – sua morte precoce foi prevista. A carreira de Amy sempre provocou comentários paralelos: falava-se da beleza de sua voz e interpretação, e de suas bebedeiras, seus vícios, as fotos alteradas, os espetáculos nos quais esquecia letras. Ainda assim, quando ela se foi, a teoria da morte de ídolos aos 27 anos ganhou espaço e força, com vários fatos que “comprovariam” a cantora inglesa como mais uma vida ceifada por conta da tal maldição.
No anúncio criado pela AlmapBBDO, “Você nunca vai fazer 28”, a “Morte” refuta a “teoria dos 27 anos” e desmonta, um a um, os argumentos que a constroem, num texto bem-humorado e com uma ponta de ironia, escrito por Andre Kassu. A direção de arte é de Marcos Medeiros, com ilustração de Arthur d’Araújo e Tiago Pinho. A direção de criação é de Luiz Sanches. Ele será publicado na edição de agosto da revista Billboard. Num estilo interessante, a “Morte” discorre sobre os motivos pelos quais chamou para perto de si Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones, Janis Joplin e Kurt Cobain, entre outros. E lembra os ídolos talentosos que partiram com outras idades. E termina falando sobre seu último pedido. Qual seria o último pedido da Morte?
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Ficha Técnica – Anúncio
Anunciante: Billboard
Título: 28 anos
Produto: Billboard
Diretor de Criação: Marcello Serpa, Luiz Sanches
Diretor de Arte: Marcos Medeiros
Redator: André Kassu
Ilustração: Arthur d’Araújo, Tiago Pinho
Produtor Gráfico: José Roberto Bezerra
Atendimento: Filipe Bartholomeu, Camila Figueiredo, Bruna Perez
Mídia: Paulo Camossa
Aprovação: Antonio Camarotti
O que faz você ser você
8 de novembro de 2009 por Carla Said em SELFPOSTS, TVborges
Outro dia estava vendo um episódio dos Simpsons que brincava com uma empresa chamada “Mapple”. Ora, todos sabem que “Mapple” é uma sátira para “Apple” e o fundador “Mobs” é o tão estimado Jobs, da mesma empresa. Além do quê, sabemos que o seriado sempre faz referências ao mundo atual, sejam elas boas ou más. E é bastante crítico.
Mas resolvi falar isso porque, nesse caso específico, o desenho fazia alusão ao famoso comercial “1984”, que a Apple lançou por uma única vez, na final do Super Bowl (lê-se, um público estimado de 70 mil pagantes e, mais ou menos, 80 milhões de telespectadores). Esse famoso filme, teve produção e direção de ninguém menos que Ridley Scott, criação a cargo da agência Chiat/Day (hoje incorporada à TBWA), e custou a bagatela de 1,6 milhão de dólares (sendo que o custo de veiculação ficou em torno de 500 mil dólares). Nada mal para um anúncio de 25 anos atrás. Veja aqui:
Mas, “por que diabos essa garota está falando disso? Todo mundo conhece esse filme”, vocês devem estar pensando. Sim, eu sei, todo mundo conhece esse filme. Mas, não sei, todo mundo conhece esse filme mesmo? Digo, TODO MUNDO sabe que Ridley Scott foi responsável por sucessos como Alien e Blade Runner? Ou, TODO MUNDO sabe que o anúncio reflete a luta que George Orwell travou no livro “1984”? E Big Brother, TODO MUNDO sabe que não é apenas um reality show? Não sei.
Parece simples, mas não é. Sei que esses exemplos não são profundos, e que muitas pessoas estão familiarizadas com tudo isso, mas nem tantas como acreditamos. Na maioria da vezes, recebemos informações sem saber do que se tratam. A gente adora a música “Will You Still Love Me Tomorrow” da Amy Winehouse, mas não faz idéia de que é uma regravação da original escrita por Gerry Goffin e Carole King. E que foi eleita umas das 500 melhores músicas dos últimos tempos pela Rolling Stone. Pra quê, né?
“Tudoaomesmotempoagora” é algo que escutamos com frequência e, sim, é uma verdade. Mais ainda, uma necessidade dos tempos atuais. Não que seja certo ou errado, é apenas uma característica do mundo. Aceitemos. Mas, o que estou querendo dizer, é que falta interesse. Não tanto sobre hoje, mas sobre ontem (e ontem não significa 50 anos atrás, pode ser um mês também). É isso mesmo, falta interesse. E muito. E cada vez mais. O antigo não interessa. É passado, cheira à naftalina e não importa. Uma pena.
Também não acho que somos obrigados a saber tudo sobre tudo, mas acredito que, como comunicadores, nossa função é estudar e promover o pensamento. Sejam nos nossos anúncios, blogs, twitts ou qualquer outro lugar que reflita uma idéia. Eu sei, é cabeçudo demais, é profundo demais e as pessoas simplesmente não entendem, mas não é pra isso que estamos aqui? Para traduzir nossa percepção e, mais ainda, compartilhar um pensamento? Estimular o raciocínio? Acredito que sim.
Não vou entrar no mérito de cada caso, mas espero que a maioria pense como eu. Tá, pode ser utopia, mas prefiro acreditar que ainda há interesse. Prefiro acreditar que as tão esperadas “grandes idéias” sejam sempre geradas em conjunto aos “grandes conhecimentos”. Prefiro acreditar que as pessoas se importam. E espero acreditar sempre. Ou melhor, prefiro.









